segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um certo galo04.setembro.2004, Publicado originalmente no site "Crônicas do dia www.patio.com.br"

Todas as madrugadas tenho acordado com um galo cantando em cima do telhado. Fiquei sabendo que é o galo do vizinho, que pula de telhado em telhado acordando o dia com o seu cantar. Mas isso não é nada, o que me intriga não é o canto do galo, até que gosto desse lado natural da vida, que lembra a vida no campo, que é totalmente desprovida da preocupação como as horas marcadas do relógio.
A única coisa que me tira do sério é que o “amigo” matutino canta exatamente às 4:30 da manhã, horário em que estou no meu melhor sono de férias. Meu Deus, fico num mato sem cachorro. Confesso que algumas vezes já pensei e tentei pegar o danado. Mas ele é bastante ágil: apesar dos seus aproximados dois quilos, ele corre feito o vento.
A minha querida mãe já me deu uma idéia — você pega um anzol, amarra num nylon, bota um milho na ponta e joga em cima do telhado; na hora que o galo bicar, tu pega ele. Só que não é tão fácil assim, o galo dorme às seis da noite, eu durmo mais ou menos à meia-noite, dependendo da disposição. O que acontece é o seguinte: quando estou dormindo, o galo já tem acordado há muito tempo, com uma disposição enorme por ter descansado bastante, enquanto eu, na hora em que ele acorda, estou querendo mesmo é dar o melhor cochilo.
O que presumo é que jamais pegarei o galo, porque ele demoraria horas pra morrer. Segundo a tradição de quem mata bichos, se tem alguém com pena deles, os mesmos demoram para morrer, e nesse tempo a Luanda, minha filha, iria acordar como o barulho e morrer de pena do bichinho. Daria pro vizinho acordar e seria aquela confusão.
Já pensei e decidi: o melhor para mim é me conformar e acordar, na maioria dos dias da semana, às 4:30 da madrugada.

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